Durante a criação dos meus últimos 3 blogs – não que eu tenha na bagagem mais um turbilhão de endereços eletrônicos com o blogspot no link, esses três são apenas os únicos, número desprezível que já me orgulha – sempre parava com folhas beges na mão e um lápis, este na maioria da vezes, e ficava dois ou três dias para escrever estrofes que contava nos dedos da mão direita. Especificamente isto se engrenava durante o primeiro post que inferia em colocar no O 1° do..., ou no Esportes..., ou no Luz, Câmera..., depende do período que falaremos de minha vida, mas acho que esses três blogs juntos não resvalaram nem na margem limitadora dessa época. Era a primeira mensagem de apresentação que sempre tomava o maior tempo, em vez de estudar matéria de Ensino Médio, os três dias dedicavam-se a folha bege. Nada mal para um menino do século XXI que não se encontra nem no Orkut nem no videogame ou sabe-se lá em outro lazer contemporâneo; para muitas mães isso seria um milagre – não tenho muita precisão no raciocínio, mas acho que aquilo foi facto naquela época por eu estar na casa de minha avó, talvez em casa, estaria em algum site de relacionamento ou no Playstation. E minha avó não jogava Playstation, tinha uma televisão lá, mas essa não me alienava como o controle na mão, então eu ficava entediado de jornal ao meio-dia, depois da vida dos famosos e depois dum filme que há vinte anos não deixa os pobres dos telespectadores na mão, quem sabe não seja o mesmo que passará hoje nessa TV desligada ao meu lado. Desse modo, com a grade dos programas que não mudava, eu então comecei a deixar pra lá e ir para o quintal, o lazer era então inventado, como devia ser há séculos atrás, com a imaginação que florescia, coisa que as crianças infelizmente vem perdendo e os adultos já perderam.
Entre algum dia desses dias, foi que me peguei escrevendo o primeiro post numa agenda bege qualquer; percebia que aquilo era algo belo e começava a abrir aquele que uma galera costuma chamar de “terceiro olho”, o olho que fica na sua testa, mas nunca ninguém o viu aberto, eu sei que você, o já considerado leitor do Racionalizando, abre o olho da mente todo dia, no entanto só quando não tem ninguém por perto. Faz bem.
Mas não sabia nem o que era o diabo do “terceiro olho”, esse termo só ficou conhecido a mim nesses últimos meses, e assim com a sabedoria presente e meu passado, desconstruo e reconstruo minhas memórias. Hoje elas estão presas na ideia de “1ª postagem”, será que ainda não perdi a mania de ficar firulando com circunlóquios durante a criação e apresentação do meu blog, talvez não, vai ver é intrínseco.
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